Em um dos períodos mais escuros de Israel, quando não havia rei e os homens se escondiam com medo, a Bíblia nos apresenta uma figura improvável: Débora, profetisa, juíza e casada. Juízes, capítulo 4.
Débora não tinha exército. Tinha discernimento. As pessoas iam até ela não porque eram obrigadas, mas porque confiavam no seu conselho. Ela ouvia causas, resolvia conflitos, dizia a verdade com amor. E por isso, Israel a chamou de "mãe".
Mãe não apenas de filhos, mas de uma nação.
O que mais me impressiona em Débora é que ela não precisou masculinizar sua voz para ser respeitada. Ela não gritou. Ela não imitou os generais. Ela liderou como mulher. Com sensibilidade para ouvir, firmeza para decidir e coragem para agir.
Quando a guerra se fez inevitável, o general Baraque se recusou a ir sem ela. E ela foi. Não por vaidade, mas por responsabilidade. Ela sabia que sua presença dava segurança. E no dia da vitória, ela não tomou o crédito. Cantou. Fez um cântico que está até hoje na Bíblia, celebrando a vitória de todos.
A mulher bíblica muitas vezes é retratada como submissa e silenciosa. Débora quebra esse estereótipo sem quebrar a fé. Ela mostra que submissão a Deus não é subserviência aos homens. É ordem, é propósito, é saber qual é o seu lugar e ocupá-lo por inteiro.
Para a mulher de hoje, que tenta equilibrar casa, trabalho, filhos e sonhos, Débora deixa um recado atualíssimo: você não precisa pedir licença para exercer o dom que Deus te deu.
Liderança feminina não é sobre tomar o lugar de ninguém. É sobre não abandonar o seu.
E talvez, como Débora debaixo da palmeira, o seu campo de liderança não seja um palco grande. Seja sua casa, sua sala de aula, seu pequeno negócio, sua roda de amigas. Onde houver alguém precisando de sabedoria e coragem, ali há uma palmeira te esperando.
Que faltem palácios, mas não faltem Déboras.
Bispa Jasmira Saraiva Ribeiro
Projeto Mulheres Restauradas

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